Todos Iguais?

Todos eram iguais e por algum tempo continuou assim, logo as diferenças surgiram,ora por uma questão de organização, ora por divisões internas, ora por apoios externos, etc...

Até que chegamos finalmente no século XXI, e falar de igualdade parece ridículo, afinal estamos em um pais com “total liberdade” aonde todos desfrutam de respeito perante a sociedade, será?

Aqui parto para a prática, deixando de lado as teorias e abrindo o debate.

Não tenho duvida alguma que perante Deus e seu Filho somos todos iguais e não teremos diferenciação alguma ou benefícios no julgamento por questões de raça, condição social ou sexo

Também não tenho duvida alguma que existe sim diferenciação de tratamento / oportunidades entre negros, pobres e mulheres, na igreja instituição e seus filiados.

É um assunto chato que trás mais inimizades do que outra coisa, mais necessário e no fundo todos sabe que existe.

Sobre este tema, Marco David de Oliveira acrescenta:

“De fato, é bastante claro que os negros chegam a tornar-se grandes líderes, homens e mulheres de oração, diáconos e presbíteros excelentes e respeitados, grandes evangelistas, etc.
No entanto, não vemos negros na liderança máxima da Igreja Pentecostal. O que muitos negros conseguem é, no máximo, além de ocupar os cargos citados, tornarem-se bons líderes de congregações subalternas àquelas orientadas por uma liderança branca “¹.

Vou além destas considerações, esta discriminação existe também em igrejas históricas, neo pentecostais, etc, rejeitar esta realidade é ignorar a possibilidade de uma possível mudança, que lógico muitos não querem, a manutenção da ignorância sobre este tema traz lucro e poder e isto deve ser mantido a qualquer custo.


É vergonhoso como manipulam a massa, como mantém o poder na base do coronelismo do nepotismo, tirando da frente as “pedras” excluindo os livres pensadores e assim construindo megas igrejas (instituições) que vivem exclusivamente para explorar as pessoas.

Outra classe de pessoas que sofrem por serem tratadas com descaso são os menos favorecidos financeiramente, no popular, o pobre.

Como tudo gira em torno de dinheiro, metas e favores, estes irmãos ficam diríamos com a raspa da panela, traduzindo, com o serviço braçal do templo.

Já que não podem mostrar “santidade” através dos dízimos e das ofertas, são conduzidos a trabalharem no templo, de segunda a segunda, muitos deixam de lado sua família, seus compromissos pessoais, seus sonhos para então assumirem mais um papel de ajudante geral do que de servo de Cristo.

Que fique claro, não sou contra o serviço voluntário na igreja, nem social, o que é necessário, nem de ministério e departamentos, o que não concordo é impor tal serviço vinculando a espiritualidade da pessoa, tudo tem que ser de forma voluntaria e em gratidão a Deus, com amor ao próximo, nunca obrigatório ou ameaçador.

O que acontece é justamente ao contrário, os menos favorecidos são aterrorizados psicologicamente a obedecerem cegamente aos mandamentos de seus lideres, a maioria das pessoas sujeitam-se a tais ordens sem questionar, porque para elas a igreja dá uma sensação de inclusão de sentirem-se importantes, seguros e queridos.

E esta “sensação” vai além, a maioria destes menos favorecidos encontram em suas vidas seculares muitas dificuldades, emprego, estudo, relacionamentos, etc. então passam a freqüentar uma igreja, surge propostas de cargos, hierarquias decididas pela preferência pessoal de um pastor, basta uma aproximação, obediência e logo a “promoção” chega.

Assim vai se perpetuando o ciclo do vicio e da mentira, muitos acordam ao verem nos bastidores o que acontece, outros até acham que esta podridão faz parte dos planos de Deus e não tem uma atitude de checar na Bíblia se o que acontece é obra de Deus ou do Diabo.

Toda escadinha de promoção eclesiástica tem um limite, nunca vi nenhuma pessoa pouco favorecida financeiramente assumir um ministério por “revelação de Deus”,muitos após longos anos de dedicação total a estas instituições, sofreram abusos, difamações, perseguições e acabaram não resistindo, deixando a igreja instituição e também o Corpo de Cristo.

Outros ao perceberem que jamais teriam espaço para desenvolverem aquilo que estava em seus corações concernente a “obra de Deus”, abriram suas próprias igrejas e assim deram asas aos seus sonhos.

Explica-se então a multiplicação das “esquininhas da fé”, conheço alguns destes lideres que ao tomarem esta decisão, honraram seus propósitos e procuram pregar uma palavra sem vícios ou interesses pessoais, por outro lado testemunhei outros que em pouco tempo começaram a ter um comportamento pior do que antes.

Quero reconhecer minha limitação em analisar estes tópicos tão importantes, são poucas palavras para tratarmos destes assuntos tão profundos.

O tema mulher, outro assunto pouco debatido, mais um que para os líderes não é necessário falar, pois afinal não existe discriminação a mulher, isto é mais uma das tantas invenções dos livres pensadores como eu.

Mulher na igreja, o que lembramos na lata?

Cantina, limpeza, circulo de oração e grupo de senhoras.

A todo instante inventam novos “ministérios” para as mulheres,
Ministério de cobrar dos irmãos uma colaboração para x ação da igreja.
Ministério de ficar na porta da igreja vendendo bolos, livros, roupas, etc.
Ministério de cuidar da cantina missionária, e por ai vai

Exceto em épocas de congresso vemos alguma mulher dirigindo um culto de domingo, trazendo uma palavra ou até mesmo sentada em cima do púlpito.

A pouco tempo atrás para amenizar o sentimento de inutilidade que as mulheres de pastores e obreiros sentiam em relação a igreja (instituição) foi determinado que todas mulheres de pastores fossem “ungidas” e reconhecidas como missionárias. (falo do ministério que coopero)

Foi uma loucura, de uma hora para outra, não era mais a “Irma Maria” da cantina, agora era a “missionária Maria”, responsável pela cantina. Não era mais a Irma Laura, que vendia bugigandas na porta da igreja, agora era a “Missionária Laura”, responsável por vender tranqueira na porta da igreja.

Então mais uma vez o homem deu um cala boca para satisfazer o ego da mulherada, que sentiram-se abençoadas, dão testemunhos, falam em línguas comemorando a vitória e que a vontade de Deus foi realizada.

Noto que as mulheres continuam a serem tratadas com descaso e usadas de acordo com as necessidades da igreja e de seus lideres.

Muitas mulheres já não esperam mais as bênçãos ministeriais e põem os pés na estrada, para fazer aquilo que realmente sentem-se vocacionadas e desejosas: falar de Cristo com liberdade e ousadia.

Outras já fazem das ruas suas igrejas e dos bancos de praça seus púlpitos.

De qualquer maneira as mulheres vão caminhando contra a lógica do descaso e lutando para conquistar mais respeito no meio da igreja e de seus lideres.

Continua....


Eunice / Caminhando na Graça, de graça!

¹ Marco David de Oliveira, A religião mais negra do Brasil, p. 86

2 comentários:

Deus é Fiel disse...

Paz! Bela postagem!
Aceita parceria?
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Alessandro disse...

Olá!

Estou aproveitando este espaço para divulgar o blog "Salvos Pelo Amor!"

Não deixem de conferir!

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