Teologia da prosperidade: Porque a odeio tanto?

Por: Leonardo Gonçalves - do ótimo Blog: Púlpito Cristão



Desde que comecei a minha militância cristã, tenho tido muitos choques com alguns adeptos da teologia da prosperidade. Com a promessa de riquezas, carros mansões e de uma saúde de ferro, os pastores adeptos desse movimento iludem os “fiéis” manipulando-os ao seu bel prazer.

É muito interessante notar que nos círculos da heresia da prosperidade, a benção do crente sempre está relacionada a algum tipo de sacrifício financeiro: o famoso “toma lá, dá cá”. Deus, nesse sistema teológico mercantil, é uma espécie de banco de crédito: Você dá o dinheiro pra ele, para depois receber o investimento de volta com juros e correção.

Muitos adeptos dessa teologia são telepastores e tele-evangelistas que vivem pedindo dinheiro para manter um programa no ar. O programa deles está sempre fechando as portas por falta de patrocínio, mas a verdade é que esses programas levam anos no ar e nunca fecham. Seria um milagre? Sim, talvez o milagre da multiplicação de marionetes, de novos parceiros-fiéis, socios-contribuintes do Show (da exploração) da Fé.

Acho que o que esses telepastores precisam, além de um bom óleo de peroba para passar na cara, é de uma aula de cristianismo bíblico. Se esses homens lessem a Bíblia, saberiam que Jesus nasceu num estábulo emprestado, proferiu suas pregações num barco emprestado, montou num jumento emprestado, recolheu o que sobrou dos pães e peixes num cesto emprestado e foi sepultado em um túmulo emprestado. Só a cruz era dele.

Pedro e João, quando subiam ao templo para orar foram interpelados por um mendigo coxo que pedia esmolas. Pedro disse àquele coxo: “não tenho ouro nem prata”. Creio que naquele dia o mendigo era mais próspero financeiramente do que Pedro, pois é possível que ele estivesse esmolando ali há algum tempo (o que lhe teria rendido algumas moedas). Contudo, Pedro e João tinham algo que aquele mendigo coxo não possuia: “Mas o que tenho, isso te dou...”

Cada vez que leio a narrativa de Atos dos Apóstolos, fico ainda mais revoltado com o que os modernos pastores estão fazendo com o cristianismo. Nos tempos do cristianismo primitivo, ser pastor significava tornar-se alvo. Eles eram os primeiros a morrer em tempos de crise e perseguição. Hoje é diferente: ser pastor significa ter status. E os crentes? Estes eram humilhados, aprisionados e açoitados, lançados às feras; outros eram queimados vivos na ponta de uma estaca para iluminar os jardins do imperador. Vejo isso e me pergunto onde está a prosperidade desses homens? Onde está a promessa de riqueza na vida deles? Será que eles não eram crentes? Sim, o eram. E em maior proporção que muitos de nós, que em meio à comodidade e ao luxo nos esquecemos de incluir Deus na nossa agenda diária.

E não é só na igreja primitiva que encontramos esses exemplos não: e o que dizer dos crentes de aldeias paupérrimas da África, que padecem das coisas mais necessárias e comuns? Crentes que fazem uma só refeição por dia e ainda agradecem a Deus pelo pouco que têm. Será que eles são amaldiçoados? Será que a promessa de prosperidade não se estende a eles? Quanta hipocrisia!

Quando ouço falar de pastores presidentes que ganham 100 salários mínimos e de telepastores cuja renda mensal ultrapassa a cifra dos milhoes de reais, ou ainda de salafrários que constroem mansões de mármore importado em Campos do Jordão, meu coração entristece ao ver o quanto nos distanciamos daquele cristianismo bíblico, saudável, puro e simples, que não promete riquezas na terra, mas garante um tesouro no céu.

Definitivamente, não posso compactuar com essa corja de ladrões, vendilhões do templo e comerciantes da fé. Não posso concordar com essa doutrina diabólica e anticristã que transforma o evangelho em uma empresa religiosa, em uma sociedade onde o distintivo do crente não é o amor, mas a folha de pagamento do “fiel”. Não consigo deixar de odiar esse sistema porco, imundo, onde o nome de Jesus é usado para ludibriar os ingênuos. Também não posso deixar de desmascarar esses falsos mestres, discípulos de Balaão, que por causa da paixão pelo vil metal vão além dos limites bíblicos e profetizam o que Deus não mandou. Minha alma é protestante, e por isso não posso calar. Sei também que há exceções, e que há muitos pastores que são sérios e não mercadejam a fé, mas acaso não são as exceções a confirmação de uma regra?

Um comentário:

irmão Betinho disse...

Muitos são os textos sobre esse assunto, já bastante comentado pelos mais variados blogs, porém, da mesma forma que o apóstolo Paulo escereveu aos Filipenses, dizendo que não se impostava de escrever sobre o MESMO ASSUNTO, creio que esse texto conseguiu de forma brilhante resumir as causas e efeitos da tal doutrina da prosperidade, ainda bastante ministrada nos Templos e instituições religiosas. Segundo Oswald Chambers (1927), "assim que tiramos os olhos da majestosa figura central de Jesus Cristo, somos carregados por todos os tipos de doutrina"; A.W. Tozer diz que "o verdadeiro cristianismo revela Deus como Alguém que está a procura do homem para libertá-lo de suas ambições"; e o irmão Milton C. Mendes diz que "muitos ensinam que Deus vai RESTITUIR TUDO, embora Jesus tenha nos ensinado a DEIXAR TUDO por amor a Ele e ao evangelho" (texto da apostila Um Mestre de Sandálias). Sabemos que já faz um bom tempo que o evangelho deixou de ser anunciado como o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. Hoje, para os adeptos da Teologia da Prosperidade, o evangelho é o poder do crente de obter tudo o que deseja. A.W.Tozer disse que "o cristianismo popular dá a sua maior ênfase à idéia de que Deus existe para AJUDAR as pessoas a PROGREDIREM nesse mundo". Sabemos que Jesus não veio para resolver o problema financeiro do homem; Ele veio para resolver o problema da ALMA do homem perdido. Irmão Marcelo e irmã Eunice, creio que o grande problema disso tudo ainda seja o distanciamento da simplicidade que há em Cristo e dos ensinos do Novo Testamento. Segundo Oswald Chambers: "o tipo de experiência cristã no Novo Testamento é de uma TOTAL dedicação à Pessoa de Jesus Cristo. Ele é o evangelho de Deus" ("Tudo para Ele, de 1927). Encerro esse comentário citando Watchman Nee:"Sem CRISTO nada temos para pregar. Essa é a diferença entre a nossa FÉ e todas as demais religiões"; e citando Martyn Lloyd-Jones: " a CRUZ de Cristo é o símbolo da vitória dos cristãos. Nossa vitória não é ter posses, sucesso, vida tranquila ou mesmo recebermos de Deus tudo o que pedimos. A cruz é a maior prova de que mesmo na morte temos VIDA" (do livro "A Mensagem da Cruz")

Um forte abraço e fiquem na Paz que vem do Alto!!!
irmão Betinho.

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